quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Chuva...


A chuva cai, como lágrimas salgadas que se desprendem de teus olhos. O corpo molhado revela a tua silhueta, o cabelo longo, escorrido por fios de água cola-se nos teus ombros. Vens ao meu encontro, caminhando em passos firmes, como se tivesses a certeza do teu mais íntimo desejo. Aqui parado, vejo-te chegar, percebo nos teus contornos a saudade por matar, o fogo que arde em teu sangue, e o desejo de finalmente nos podermos encontrar.

Roubo ao céu uma estrela, que sustento entre mãos. Prendo-a nos teus cabelos, iluminando tua aura. Teus lábios carmim, murmuram o meu nome, como se me conhecesses de toda a eternidade, e não fosse esta a primeira vez que me encontrasses. Ficamos ali, separados por uns escassos centímetros, sentindo já o calor dos corpos, abraçando já as almas, segurando o desejo que os corpos clamam, aprofundando no olhar o prazer que sabemos já sentir, antes mesmo de nos tocarmos.

Fez-se silêncio, a chuva cessou, o tempo parou, no instante em que as bocas se deram de beber, num beijo doce. No momento em que os corpos se aninharam num abraço apertado, as almas dissolvem-se na fusão perfeita dos seres que se amam e se sentem, a saudade afoga-se no mar imenso da paixão, deixando para trás o mundo inteiro, poluído de adversas realidade, ruídos e agressividades.

Faz-se luz, na noite cerrada, faz-se música no silêncio perdido e voamos, corpos entrançados, rumo ao Universo escolhido.

É amar-te assim,
Saber-te em mim,
A cada instante!

Sem comentários: